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Data de publicação: 19/05/2008
Você usa conexão discada? Cuidado
Matéria publicada no jornal O Estado de São Paulo - SP, do dia 19 de maio de 2008
Há uma pesquisa nova na praça que revela um aspecto fascinante do crescimento da internet nos últimos tempos. Entre 2003 e 2008, o tamanho médio de uma página da web triplicou ao passar de 93,7 KB (kilobytes) para 312 KB. O estudo detalhado, publicado pelo WebSiteOptimization.com, aponta para a obsolescência do acesso à rede por linha discada. Só há um problema: acesso via linha discada não existe porque os usuários querem. É porque eles não têm escolha. Mas, conforme as páginas ficam mais pesadas, a internet pelo telefone encarece. São minutos e mais minutos de paciência para baixar páginas com quase meio megabyte, cada uma comendo muitos pulsos. Os pacotes mais baratos de banda larga, bem abaixo da faixa de R$ 100, saem mais em conta. Mas não é em qualquer lugar que dá para contratar o serviço. (Segundo a pesquisa mais recente do IBOPE//NetRatings, aproximadamente 20% dos usuários brasileiros têm internet por telefone. É um percentual equivalente ao dos EUA.) O que mudou entre 2003 e 2008? Muito. A resposta mais óbvia são os recursos multimídia, vídeos inclusos aí nessa lista. Mas páginas, além de vídeos, têm também mais imagens e uma série de novos efeitos que antes não haviam. São pequenos programas em linguagens como JavaScript e Ajax com os quais todos temos nos habituado. É o caso, nos portais, de imagens que ficam mudando como num slideshow. Ou botões que se iluminam quando passamos o mouse. Vários de nós ainda lembramos da web gráfica à qual fomos apresentados lá pelos idos de 1994 nos câmpus de universidades ou no único provedor de acesso pago que havia, o Alternex, do Rio de Janeiro. Aquelas páginas que visitávamos com um software chamado Mosaic tinham sempre o fundo cinza e links em azul que, após visitados, tornavam-se roxos. Nunca mais do que três imagens. Se o tamanho médio de uma página triplicou de 2003 para cá, de 1995 até hoje o aumento foi da ordem de 22 vezes. Não há qualquer dúvida de que esse aumento não vai parar aí. Multimídia via streaming – caso de vídeos do YouTube – aumentou em tamanho 600% entre 2000 e 2005. Em 1997, 90% dos vídeos à disposição na web tinham em média 45 segundos de duração. Em 2005, tinham dois minutos. Em 2007 já passavam da marca de três minutos e dez segundos. Os vídeos não apenas duram mais como têm melhor qualidade: estão menos comprimidos, mais nítidos. O resultado é que há um fenômeno inesperado em curso, um novo grupo de excluídos digitalmente: aqueles que querem internet, têm equipamento para acessar, dinheiro para gastar, mas que vivem em regiões ainda não atingidas pela banda larga. Para esses, muitas vezes a alternativa é só uma: satélite. E, aí, o acesso via antena é lento e o preço mensal sai por uma pequena fortuna. Uma das saídas é esperar pela popularização da tecnologia 3G, que oferece internet rápida pelo celular. Mas, no Brasil, essa ainda é uma solução cara. Nos EUA, vem baratinho, quando não está já no preço básico que o cliente paga para ter um celular todo mês. A Web 1.0 era estática: páginas que líamos e nada mais. A 2.0 ganhou interação, comentários e serviços simples como a construção, nos portais, de páginas customizadas para cada usuário com aqueles itens que cada um deseja. Na próxima geração,
programas que usamos no dia-a-dia como o editor de textos e a planilha eletrônica irão parar na rede também. Neste exato momento,é um dos assuntos que domina as discussões dentro da Microsoft. É por isso que a empresa de Bill Gates quer comprar o Yahoo! – precisa se preparar para o momento em que vai parar de vender caixas com programas dentro. Quando esse momento chegar, talvez em cinco anos, teremos as páginas de 1 Mb. Linha discada não servirá para nada.
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