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Na seção: Notícias,Internet - Área: Notícias\2009
Data de publicação: 30/10/2009

Orkut em busca dos usuários perdidos

Notícia divulgada no jornal Brasil Econômico, em 30 de outubro de 2009, com informações do IBOPE Nielsen Online

Criada em 2004 pelo engenheiro turco do Google, Orkut Buyukkokten, a rede social que tem o nome do seu criador foi dominada pelos usuários brasileiros sem nunca ter feito sucesso nos Estados Unidos e na Europa. Agora, aos cinco anos, o site de relacionamento procura ganhar espaço no mundo a partir de uma recriação nacional. Foi a equipe de administração do site no Brasil, em parceria com especialistas indianos, a responsável pela primeira reformulação radical do portal. "A partir do conhecimento que temos sobre redes sociais tentamos fazer uma reestruturação que faça o Orkut crescer no mundo", afirma o diretor de produto do Google, Victor Ribeiro.

Os profissionais brasileiros, diz Ribeiro, se desfizeram de praticamente toda a interface original da rede e simplificaram uma série de funcionalidades. Entre as inovações está um filtro de sugestão de amigos - similar ao feito pelo concorrente Facebook, porém com mais destaque na página - e a possibilidade de publicar várias fotos ao mesmo tempo em um álbum. As mudanças, segundo Ribeiro, estão focadas nas práticas de navegação do usuário brasileiro.

Ele explica que hoje a rede de relacionamento assumiu um caráter mais festivo. As pessoas usam o Orkut principalmente para trocar fotos e se comunicar com amigos que não vêem há muito tempo. "Os usuários compartilham algo em torno de 30 milhões de fotos por dia", afirma Ribeiro, que não revela quanto foi investido no projeto.

Fundação do site

Outra curiosidade é que a reformulação leva o site de volta às suas origens. Apenas pessoas convidadas por usuários mais assíduos poderão acessar o novo Orkut. Segundo o analista de internet do IBOPE Nielsen Online, José Calazans, trata-se de uma estratégia que pode tornar o site mais acessado em outros países. Para explicar seu raciocínio, Calazans cita o estudioso de internet Bill Tancer, que descreve um movimento cíclico entre os próprios usuários de internet. "Se uma rede social há muito não é utilizada entre os americanos, por exemplo, pode acontecer de um internauta apresentá-la a um amigo como um slte novo", afirma Calazans, acrescentando que esse movimento em escala pode fazer o site ser redescoberto em outros países.

Facebook

Os profissionais do Orkut não admitem que a reformulação do site está pautada em fazer frente ao Facebook, da Microsoft, que vem crescendo no mundo. Na opinião de Calazans, pelo menos por enquanto o Orkut não precisa se preocupar com o Facebook no Brasil, uma vez que o site ainda detém 73% de penetração entre os usuários da web nacional. Porém, no exterior, o cenário é outro. Na Inglaterra, o Facebook já atinge mais de 50% dos internautas. Nos Estados Unidos, esse patamar está sendo ultrapassado agora. "A iniciativa de mudança pode ser estratégica para ganhar usuários no exterior", afirma Calazans.

Entre os brasileiros, a tendência pode ser outra. O professor de Criação Digital da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), Vicente Mastrocola, diz que a divisão de usuários da internet tradicional se dá entre uma série de outras redes sociais, como Twitter e Facebook. O fato preocupa o Google e é motivo suficiente para investir na mudança. Como usuário de internet, Mastrocola diz que acabou com o seu perfil no Orkut para ficar somente com o Facebook "que tem uma interface superior". Na opinião de Mastrocola, "agora a questão é acompa nhar todas as redes para ver se elas funcionam ou não".



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