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Na seção: Notícias,IBOPE Nielsen Online - Área: Notícias\2008
Data de publicação: 22/04/2008

O consumidor do futuro : classe C é mais online

Artigo escrito pela CEO do IBOPE//NetRatings, Fábia Juliasz, e publicado no jornal Meio & Mensagem

Desde o ínicio da internet voltada ao consumidor, no ano de 1995, a internet brasileira passou por grandes mudanças. De uma internet voltada para infra-estrutura, majoritariamente masculina e jovem onde o conteúdo era “rei” e o comércio eletrônico incipiente, a internet evoluiu para um meio de comunicação participativo, acessível a todos e cada vez mais presente na vida dos brasileiros.

Com a melhoria das condições gerais de acesso e aumento no volume de computadores vendidos através de diversos incentivos (dentre eles isenção dos impostos PIS/COFINS e o crédito oferecido pelo governo dentro do "Computador para Todos"), a população de internautas atingiu a marca histórica de 40 milhões em dezembro de 2007, registrando crescimento de 128% a partir da base de 17,6 milhões de indivíduos com 16 anos ou mais, registrados em dezembro de 2001, na primeira pesquisa GNETT conduzida pelo IBOPE//NetRatings.

E isto deve continuar.  Pela primeira vez na história do Brasil, o número de computadores vendidos ultrapassou o número de televisores, com notável aumento nas vendas dos notebooks que, segundo a Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica- ABINEE, passaram de 171 mil unidades para 541 mil unidades no período de dezembro de 2006 a dezezembro de 2007, com incremento de mais de 200%, enquanto as vendas de desktops aumentaram 5% no igual período.

Assim, de um lado observamos os internautas “early-adopters” sofisticarem o uso da web, trocando equipamentos, consumindo mais banda larga, testando novas formas de relacionamento, criando seus conteúdos pessoais e participando de forma ativa na rede, com o tempo gasto online hoje já na ordem de 22 horas e 24min, segundo dados de fevereiro do IBOPE//NetRatings.

De outro lado, o fato novo é que as classes de menor renda aderiram ao meio interativo de forma definitiva, como mostra a pesquisa 19ª Internet POP.

Com acesso principalmente nos locais públicos (escolas, bibliotecas, lan houses), nas suas casas e na casa de amigos ou parentes, os internautas classe C são bastante ativos e frequentes na rede - visitam as “lan houses” no mínimo duas vezes por semana e surfam entre duas e quatro horas. A principal atividade deste público é a participação nas comunidades virtuais, além dos temas bastante populares na rede, como entretenimento, email e conteúdo.

Essa massa de novos internautas representa não só um grande potencial para a mídia online enquanto veículo de “branding”, mas também como um novo e importante canal de distribuição de bens e serviços.

Segundo o IBOPE//NetRatings, ao longo de 2007, a audiência dos sites de comércio eletrônico cresceu acima da média da internet. Até dezembro de 2007, o crescimento da internet residencial foi de 48%. No comércio eletrônico, foi de 49,2%. O total de usuários residenciais do comércio eletrônico brasileiro em dezembro de 2007 chegou ao número inédito de 12,2 milhões, com um alcance igualmente inédito de 57,1%.

Os novos usuários de internet da classe C poderão impulsionar ainda mais estes números. O consumidor online apresenta um padrão evolutivo que se inicia com a navegação básica e a familiarização com este novo ambiente, sendo visitas aos sites de e-commerce e transações bancárias as atividades que finalmente antecedem a  concretizaç&atil de;o de compras no meio digital. Considerando-se que 40% deste público são novos na rede, ou seja, navegam há menos de dois anos, é bastante factível imaginar novos recordes para o comércio eletrônico brasileiro.

Além disso, os aparelhos de telefone cada vez mais serão capazes de processar vídeo, e-mail e outras mídias digitais e a portabilidade fará com que estes aparelhos se tornem além de indispensáveis, plataformas pessoais de mídia e consumo.

Nesse cenário, tudo indica que a próxima década da internet brasileira trará mudanças ainda maiores que os avanços em software, computação, redes sociais e interatividade observados nesses últimos anos, possibilitando novas formas de assistir à TV, de usar o telefone e de trabalhar a multiplicidade de informações em plataformas móveis.

Devemos buscar construir nosso futuro como empresários de comunicação, ajudando esses novos consumidores a ganharem as habilidades inerentes ao mundo digital que os diferenciarão como indivíduos e profisssionais.



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