ARTIGO
Meio Ambiente e Responsabilidade Social, por Roberto Lobl.

GESTÃO DO CONHECIMENTO
Para o IBOPE, conhecimento tem de ser multiplicado.

CATI BUS
Desenvolvida para várias empresas ao mesmo tempo, a pesquisa é realizada com a população das classes A, B e C, com custo sob medida.

MERCADOS REGIONAIS
Certas características do mercado regional influenciam os hábitos do consumidor local.

WebRF
Nova ferramenta propõe programações efetivas de planejamento de mídia.
   
"Trata-se de um consumidor que tem sede por novidades, compra por impulso e está sempre buscando ofertas"
Juliana Sawaia
 
"Para o consumidor
brasileiro, um bom
atendimento vem antes de
qualquer coisa"
Roberto Meier
 
"Há realmente uma distância entre a teoria e a prática, porém, vale ressaltar que o interesse do brasileiro por temas relacionados ao meio ambiente é muito maior do que qualquer outro país na Améria Latina"
Dora Câmara
   
   

"O cartão me dá segurança para comprar e pagar o mínimo ou ainda dividir em parcelas"
Kátia de Britto

   
Descrição Metodológica

Target Group Index

Estudo single-source que, a partir de uma amostra probabilística de 11 mercados apresenta hábitos de mídia, consumo de produtos, hábitos e atitudes da população e diário de atividades.


Amostra
Mais de 18 mil entrevistas anuais distribuídas nas regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Curitiba, Belo Horizonte, Salvador, Recife, Fortaleza, Brasília e nos interiores de São Paulo e das regiões Sul e Sudeste.

Universo Pesquisado
Pessoas de ambos os sexos das classes AB, C, DE com idades entre 12 e 64 anos.

Pesquisa Especial
Estudo realizado entre 25 e 31 de agosto de 2008 com pessoas entre 18 e 64 anos, nas oito principais regiões metropolitanas do Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Fortaleza, Salvador e Distrito Federal). Foram realizadas mais de 3.400 entrevistas.

O CONSUMIDOR DO SÉCULO XXI

Estudo inédito do IBOPE Mídia retrata o perfil do consumidor contemporâneo: ele consome mais, é consciente, exige seus direitos e sua felicidade significa estar em paz com a família

O consumo é um dos raros fenômenos que conseguiu modificar tão profundamente o modo de vida, os gostos, as aspirações e o comportamento da maioria das pessoas em um intervalo de tempo tão curto. A definição é do filósofo francês, Gilles Lipovetsky, e serviu de inspiração para estudo inédito do IBOPE Mídia: “O Consumidor do Século XXI”. A pesquisa, desenvolvida pelo IBOPE Mídia, empresa do IBOPE responsável pelas pesquisas de mídia, consumo e investimentos publicitários, traça o perfil do novo consumidor contemporâneo e foi especialmente produzida para apresentar no MaxiMídia 2008 – Seminário Internacional de Marketing e Comunicação, organizado em outubro pelo grupo Meio e Mensagem.

Mas, afinal, quem é o consumidor do século XXI? Segundo Martha Savastano, professora de marketing da Fundação Getúlio Vargas (FGV), é um indivíduo bem informado, autônomo e que pode decidir sobre si mesmo. “Ele busca discursos verdadeiros, autênticos e faz questionamentos sobre os produtos”, afirma. Ele procura uma comunicação envolvente e não mais persuasiva. “O consumidor contemporâneo prevê um novo nível de relacionamento com os produtos, exigindo um novo modelo organizacional”, analisa Martha. 

CONSUMO LATINO-AMERICANO

O estudo desenvolvido pelo IBOPE Mídia constatou que o Brasil está inserido num patamar de destaque quando medido o consumo na América Latina. O número de pessoas com idade entre 18 e 64 anos, que fez compras pessoais, exceto alimentos e bebidas, nos últimos 30 dias, na região chega a 58%. O Brasil aparece como destaque de consumo com 66%, atrás apenas do México (68%) e Peru (69%).

Segundo Juliana Sawaia, gerente de marketing do IBOPE Mídia, responsável pelo desenvolvimento do estudo, o brasileiro tem características diferentes dos demais. “Trata-se de um consumidor que tem sede por novidades, compra por impulso e está sempre buscando ofertas”, explica. Embora ele procure a marca dos produtos na embalagem, muda de marca freqüentemente para conhecê-las. É o caso de Gladis Ferreira, 42 anos, uma consumidora que gosta de comprar produtos de higiene pessoal. Ela está sempre atenta às novidades. “Olho, gosto e compro”, diz.

TEORIA COMPROVADA: as mulheres fazem mais compras do que os homens.

O estudo constatou que os brasileiros também estão consumindo mais. Há seis anos, o total da população que saía às compras era de 60%. Hoje, esse número é de 67%, ou seja, são mais de 35 milhões de pessoas realizando compras pessoais. Além disso, o
público feminino faz mais compras que os homens com uma diferença que chega a ser de 12% – os homens chegam ao índice de 63% e as mulheres, ao de 71%.

A arquiteta Sandra Gavioli, 40 anos, por exemplo, se considera uma ávida compradora de produtos para a casa, mas afirma que vai às compras apenas quatro vezes por mês. “Sempre arrumo alguma coisa para comprar e acabo adquirindo objetos sem saber onde guardar”, diz. A pesquisa mostra também que 18% são altos compradores (aqueles que foram, no mínimo, 14 vezes às compras nos últimos 30 dias), 32% são médios compradores (de 7 a 13 vezes) e 50% são baixos compradores (de uma a 6 vezes). Em Curitiba, a população vai menos às compras (53%). Em Brasília, eles são médios compradores com 39%, e em Salvador (35%), a população vai mais às compras.

LOCAIS DE COMPRA E CONSUMO CONSCIENTE

As lojas de rua ainda são as mais freqüentadas e ficam com 83% da preferência. Os shoppings figuram no patamar de 62% e as lojas de departamento com 51%. A média mensal de compras realizadas em lojas de rua é de 3,95, no shopping é de 3,93 e nas lojas de departamento 3,83.

De acordo com o estudo, há no Brasil uma tendência favorável ao consumo consciente quando comparado com os demais países da América Latina, mas o esforço ainda interfere na prática. Nesse sentido, 89% dos consumidores dizem que reciclar é dever de todos porém 60% consideram que fazem esforço consciente para reciclar. 63% estão dispostos a mudar o estilo para ajudar o meio ambiente. “Há realmente uma distância entre a teoria e a prática, porém, vale ressaltar que o interesse do brasileiro por temas relacionadosao meio ambiente é muito maior do que qualquer outro país na América Latina ”, explica Dora Câmara, diretora comercial do IBOPE Mídia.

Roberto Meier, Presidente da Associação Brasileira das Relações Empresa Cliente (Abrarec) e Publisher do Grupo Padrão, avalia que as pessoas não praticam aquilo que dá trabalho, mas querem que os outros o façam. Mesmo assim, ele acredita que a sociedade de consumo do ‘compra-e-joga-fora’ está com os dias contados. “Vai levar tempo para que isso aconteça, pois o tema tem que ser trabalhado com base na conscientização, principalmente dos jovens, que levam o tema para casa, pois percebem que serão afetados no futuro”, afirma Roberto. Ele também assegura que o Brasil está muito adiantado em relação a outros países quando o assunto é sustentabilidade. “O que falta é trabalhar de forma organizada”, ressalta.

TEORIA YOUNIVERSE

O perfil do ‘Consumidor do Século XXI’ reflete na prática a teoria desenvolvida por uma consultoria americana denominada Youniverse, que prevê que a liberdade é regra para diferenciação. Segundo Martha Savastano, no passado, as pessoas dependiam do coletivo e não tinham condições de viver se não estivessem engajadas em algo ou pertencessem a um determinado grupo social. Hoje, o indivíduo continua dependendo da coletividade, mas é autônomo e sabe como pode interferir na comunidade onde vive. “O cidadão tem consciência de que se ele estiver melhor, o mundo estará melhor”, explica a professora.

O ‘Consumidor do século XXI’ é o grande protagonista na hora das compras. Ele é co-autor dos seus produtos, conhece seus direitos e isso dá uma satisfação singular para ele. No Brasil, por exemplo, o consumidor pode ser considerado o mais exigente do planeta, de acordo com Roberto Meier. “O Brasil é o único lugar do mundo, onde proteger o consumidor é lei federal”, afirma. “Para o consumidor brasileiro, um bom atendimento vem antes de qualquer coisa”, constata.

Prova disso é que o número de atendimentos do Procon passou de 285 mil em 2000 para 516 mil, em 2007. 75% dizem que exigem constantemente os seus direitos, principalmente em Fortaleza (85%). Em São Paulo, esse número é mais baixo (65%).

EMPRÉSTIMOS, DEFESA E MOEDA

Mais da metade dos consumidores discordam que fazem compras para se sentirem mais calmos ou menos tristes e para 69% deles, os vendedores e promoções não os convencem a comprarem mais do que precisam. Porém, 51% dos consumidores evitam
andar com talões de cheques e cartões de crédito para não gastar.

As regiões onde há mais incidência de empréstimo são Salvador e Brasília, com 15% e 14%, respectivamente. Salvador é, ao mesmo tempo, a cidade onde as pessoas dizem que os empréstimos bancários não fazem parte da
rotina, com 89%. O ‘Consumidor do Século XXI’ paga suas compras principalmente com dinheiro e cartão de crédito. Em seis anos, a posse de cartões de crédito aumentou de 27% para 38%. Quase a metade (48%) afirma que com o cartão de crédito pode comprar coisas que normalmente não poderia comprar. Kátia de Britto, 30 anos, advogada, é uma dessas consumidoras. Ela compra apenas com cartão de crédito. O motivo é a data do vencimento. “O cartão me dá segurança para comprar e pagar o mínimo ou ainda dividir em parcelas”, afirma. O efeito colateral desse comportamento vem a seguir. Segundo o estudo, raramente o valor integral da fatura é pago (37%).

MÍDIA, PONTO-DE-VENDA E RELACIONAMENTO

A Importância do PDV
A comunicação no ponto-de-venda* interfere diretamente na decisão de compra do
Consumidor do Século XXI. Em qual tipo de compra o PDV influencia mais?

O consumidor é influenciado por três aspectos: mídia, ponto-de-venda e relacionamento. Experiência anterior e família são as principais fontes de informação na decisão de compra. É assim que funciona para Kátia de Britto. Além disso, o ponto-de-venda e o atendimento são decisivos na hora da compra. “Às vezes compro apenas porque o atendimento foi bom”, diz Kátia.

De acordo com a pesquisa, a opinião da família não influencia muito na decisão de compras de bebida alcoólica e a experiência anterior ajuda muito na hora de comprar roupa, alimento e, principalmente, produtos de higiene pessoal. A comunicação no ponto-de-venda interfere diretamente na decisão de compra quando o tema é roupa com 38%. Para alimentos, o índice chega a 36%, seguido de aparelhos celulares (35%) e TV, som e vídeo, com 34%.

O consumidor troca informações sobre tudo, influencia pessoas e valoriza a informação. Família e amizade são destaques na influência sobre o consumo. 34% conversam com muitas pessoas sobre produtos e são conhecidos como conectores; 49% podem fornecer informações sobre algum produto, são os bem informados. E 34% convencem as pessoas sobre suas opiniões, são os influentes.

“O consumidor contemporâneo gera, distribui e debate o tempo todo”, confirma Roberto Meier. Antes de comprar, ele verifica fóruns de discussão, sites, blogs e redes sociais. Vai procurar referências confiáveis, que muitas vezes são os amigos ou parentes. Com base nessas informações, o especialista lança um alerta: “as empresas precisam ter humildade para aprender a ouvir o consumidor e reagir em tempo real”.

O relacionamento com os meios fecha o círculo de influências, proporcionando conhecimento sobre os produtos desejados. Mas o que realmente deixa o consumidor do século XXI feliz é, de fato, estar em paz com a família, ter muita saúde, realizar-se profissionalmente e ter mais dinheiro do que tem hoje. É a conexão com valores que o dinheiro não pode comprar. “Ao contrário do consumidor do século passado, que media o sucesso pelo que consumia, o consumidor contemporâneo busca oportunidades e experiências que proporcionarão uma vida mais feliz e recompensada”, garante Martha. Ela explica que a proposta do produto tem que fazer sentido para esse consumidor que está em busca da realização e do autoconhecimento. “O significado das coisas é construído por meio de experiências individuais”, conclui.

Estudo completo você acessa no endereço www.ibope.com/consumidor

VALORES

• O tempo tornou-se o ator principal no roteiro dos valores do consumidor do século XXI. Para 56% dos pesquisados, a forma como aproveitam o tempo é mais importante do que o dinheiro que ganham.

• O dinheiro é reconhecido por 44% dos consumidores como a melhor medida do sucesso. Em Fortaleza, por exemplo, esse número chega a 49% e o padrão de vida é ponto de partida: 2/3 dos consumidores não estão dispostos a trabalharem menos, caso isso signifique abrir mão do conforto. Isso acontece principalmente em Porto Alegre.

CONSUMO POPULAR E AS MARCAS

Fruto de parceria inédita entre IBOPE Inteligência e a Troiano Consultoria de Marca, estudo analisa a construção de marcas no mercado de baixa renda

O IBOPE Inteligência, empresa do IBOPE especializada em estudos customizados e sindicalizados nas áreas de consumo, marca e opinião pública, e a Troiano Consultoria de Marca firmaram parceria para apresentar ao mercado durante o Maximídia 2008 o estudo inédito “O Consumo Popular e as Marcas: Construindo Confiança para Gerar Valor”.

Com o patrocínio das empresas Losango, McDonalds, Schincariol e Vivo, o estudo fornece ao mercado um extenso diagnóstico sobre a capacidade das marcas em estabelecer relações e vínculos com o consumidor das classes populares e aponta estratégias eficientes para esse diálogo. A pesquisa utiliza pela primeira vez uma nova metodologia criada pelas duas empresas que revela o índice de confiança depositado nas marcas, como atributo gerador de negócios. A metodologia do estudo, desenvolvida especificamente para o projeto, combina técnicas quantitativas e qualitativas, além da análise do cenário macroeconômico e de cases internacionais.

Classe popular é maioria - Marcelo Coutinho, diretor de análise de mercado do IBOPE Inteligência, destaca que pela primeira vez na história do País a chamada “classe média” representa a maioria da população - 52% do total, segundo dados do IBGE e da Fundação Getúlio Vargas. “As transformações na economia brasileira nos últimos anos permitiram o acesso de uma vasta parcela da população ao mercado de consumo de bens e serviços, antes restrito às camadas mais privilegiadas da sociedade”, diz.

Não é à toa que as empresas se voltam para este segmento, ressalta Cecília Russo, diretora da Troiano Consultoria de Marca, sobre a busca pelo reconhecimento e a preferência do consumidor de baixa renda. “As empresas já têm consciência da demanda vinda desses novos consumidores, mas ainda tateiam na busca da melhor forma de estabelecer relações sustentáveis e reciprocidade com eles”, explica Cecília.

A executiva do IBOPE Inteligência, Paula Sória, diretora de atendimento e planejamento do IBOPE Inteligência, reforça que o resultado desse projeto será bastante relevante para definir diretrizes. “O estudo vai alavancar  instrumentos concretos para a gestão de marcas e expansão de negócios”, diz. Paula foi responsável por toda a coordenação do trabalho de campo, com amostra de 3 mil entrevistas e 20 vivências etnográficas.
O estudo foi realizado em nove regiões do país, com homens e mulheres, entre 18 e 59 anos e renda familiar de um a três salários mínimos.

*Anúncios, promoções, vendedores, demonstradores, embalagens etc.
Respostas 4 e 5 numa escala na qual: 1 influencia em nada; 5 influencia muito.
 
GIRO
Presidente - Carlos Augusto Montenegro • Vice-presidente
- Luís Paulo Montenegro • Diretor Corporativo - Rogerio de A. Cajado • Diretora de Recursos Humanos e Organização - Amélia Caetano • IBOPE Media: CEO - Flavio Ferrari • Diretor Executivo - Antonio Ricardo Ferreira • Diretora Comercial - Dora Câmara • IBOPE Inteligência: CEO - Nelsom Marangoni • Diretoras Executivas de Atendimento e Planejamento - Laure Castelnau e Márcia Cavallari • Diretor Executivo de Desenvolvimento e Soluções Técnicas - Ney Luiz Silva • Instituto Paulo Montenegro: Diretora Executiva
- Ana Lúcia Lima
IBOPE
Publicação trimestral corporativa do IBOPE para públicos interno e externo • supervisão e edição: gerência de Comunicação Institucional, Valéria Segato Covre Fernandez (MTb 20.100) • coordenação: Taís Bahov (MTb 53.300) e Cláudia Jardim • entrevistas e textos: Ana Beatriz Ansarah (MTb 40.418) e Ketchum Estratégia (Letícia Colombini, MTb 26.598 e Eri Yoshiy, MTb 27.635) • edição de arte e produção gráfica: D´Lippi Design + Print • fotos: Shutterstock, Stockexpert e Paulo Pampolim • impressão: D’Lippi Print • tiragem: 14 mil exemplares • endereço para correspondência: Alameda Santos, 2101 - 8º andar – São Paulo/SP – CEP 01419 002 –comunicacao@ibope.com