GLOBALIZAÇÃO
IBOPE consolida presença no mercado mundial

ASCENSÃO
A nova classe média vai às compras

INOVAÇÃO
Projetos para a gestão de idéias
definem ações dentro  e fora da empresa

DIGITAL
Tecnologias sociais ditam nova forma de se relacionar com marcas e produtos
 
"A crise está presente, atuando no mundo das idéias, mas ainda não se materializou"

Nelsom Marangoni
 

Expectativas para 2009

74% dos entrevistados
acreditam que o próximo ano será melhor. Caso a crise se materialize, 48% da população não vai assumir mais prestações e 40% pretendem reduzir
gastos com lazer.

 
"O brasileiro já percebe
os reflexos da crise internacional, no entanto,
é possível notar certa tranqüilidade na população"

Malu Giani
 

Investimentos em
comunicação para 2009

54% em relacionamento com o mercado. 54% em comunicação dirigida. 56% em internet (site próprio). 50% em eventos.

 
"A expectativa de crescimento do investimento em marketing para 2009
é de 13%"

Laure Castelnau
 
"A Unilever se beneficia da força de suas marcas no mercado brasileiro"

Luiz Carlos Dutra
 
"O Brasil está demonstrando ter uma economia forte, pois até agora quase não sentiu o impacto da crise"

Illan Goldfajn

Perspectivas 2009

O IBOPE Inteligência ouviu a população e executivos sobre o que eles esperam para o próximo ano

A economia mundial já enfrenta um período de recessão. Os Estados Unidos
enfrentam uma crise econômica como há muitas décadas não se via. Mas
será que essa situação trará reflexos importantes à economia brasileira? Das
classes sociais mais altas às mais baixas esta é, com certeza, a pergunta mais
recorrente no que diz respeito ao ano de 2009.


Diante desse momento de incertezas, o IBOPE Inteligência foi às ruas conhecer o
que a população espera para o próximo ano diante da turbulência no cenário global.
O estudo intitulado Perspectivas 2009 foi realizado pela empresa durante o mês de
novembro (veja no boxe detalhes sobre a metodologia) e revela que tanto a população
– que se mostra otimista – como os executivos e os especialistas já estão envolvidos
com a crise. “Para a população, ela ainda está distante, enquanto para os outros – na
medida em que têm um conhecimento mais profundo – estratégias já começam a ser
desenhadas ou implantadas”, avalia Nelsom Marangoni, CEO do IBOPE Inteligência.

A pesquisa aponta que 86% das pessoas entrevistadas conhecem a existência da crise, enquanto apenas 5% acreditam que ela não exista e 9% não sabem responder. Ao mesmo tempo, 59% se apresentam preocupadas e 18% não estão nada preocupadas. O estudo demonstra, também, que há preocupação com os efeitos dessa crise: mais da metade (53%) crê que ela já está atingindo o Brasil; outra parcela significativa (32%) afirma que a crise ainda não está atingindo o Brasil, mas poderá atingir; e 49% eclaram que poderá afetar sua família.

CRISE: NO MUNDO DAS IDÉIAS
Mais um fator da pesquisa que demonstra que a crise é de conhecimento geral da população é a percepção de notícias sobre a economia veiculadas na mídia. Mais da metade (52%) registra a divulgação de informações mais negativas ante 20%, que mencionam informações mais positivas. “No universo cognitivo das pessoas, a
crise está presente, atuando no mundo das idéias, mas ainda não se materializou. Tanto é assim que há um clima de otimismo no ar”, explica Marangoni.

Os números demonstram que 74% dos entrevistados acreditam que o ano de 2009 será melhor do que 2008 – entre quem acha que existe uma crise econômica internacional e entre os que se dizem preocupados com ela, a expectativa é muito parecida: 75% e 77%, respectivamente – e apenas 7% afirmam que será pior. “O brasileiro já percebe alguns reflexos da crise internacional, seja na economia do País, seja na vida pessoal, pois 27% acreditam que a crise está afetando a sua família, no entanto, é possível notar certa tranqüilidade na população”, explica Malu Giani, gerente de Atendimento e
Planejamento do IBOPE Inteligência. “Ainda que exista uma expectativa de ‘arranhões’ ou até ‘rachaduras’ na economia, há a sensação de que sua estrutura será preservada”,
diz a executiva.

A pesquisa mostra que há uma expectativa positiva quanto à própria renda: 37% acham que vai aumentar nos próximos seis meses, 42% dizem que não vai mudar e
11% acreditam que vai diminuir. Esses índices estão muito próximos dos levantados na pesquisa que foi realizada para uma série histórica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em junho, quando ainda não se falava em crise. Ainda segundo
o estudo Perspectivas 2009, os gastos pessoais com bens de uso doméstico de maior valor também devem aumentar na opinião de 34% dos entrevistados ou se manter no
patamar atual (38%). Ao mesmo tempo, 24% dizem que pretendem diminui-los nos próximos seis meses.

Para Marangoni, a crise poderá ser sentida se, de fato, ocorrer sua materialização nos próximos seis meses, por meio do aumento do desemprego, da perda de poder
aquisitivo, do aumento da inflação e da dificuldade de acesso ao crédito. “Discute-se a crise, mas a população ainda não a sente diretamente”, avalia o executivo.

A percepção de aumento da inflação e desemprego no País para o primeiro semestre de
2009 está um pouco abaixo da registrada na pesquisa divulgada em setembro pela CNI. “Naquele momento, o presidente Lula atingiu o auge da avaliação positiva de seu
governo”, comenta Malu. Dessa forma, permanecem positivas as expectativas, pois 37% acham que a própria renda vai aumentar nos próximos seis meses, 42% dizem
que não vai mudar e 11% acreditam que vai diminuir – índices que estão muito próximos dos levantados na pesquisa realizada para a CNI em junho, quando ainda não se falava em crise. Além disso, 72% acreditam que os gastos pessoais com bens de uso doméstico de maior valor devem manter-se ou aumentar.

Se a crise se materializar, a população está preparada, uma vez que ela já aponta medidas para enfrentar a situação e demonstra disposição em adiar planos ou
reduzir gastos: 48% da população declara que não vai assumir mais prestações e 40% diz que vai reduzir gastos com lazer. “Mas tudo isso sem desespero”, enfatiza Malu.

VISÃO EMPRESARIAL
A mesma confiança observada na população brasileira pode ser notada no mundo
empresarial, pelo menos no caso da Unilever, uma das empresas líderes no fornecimento de produtos de bens de consumo no mundo. Segundo Luiz Carlos Dutra, vicepresidente de Assuntos Corporativos da empresa, a crise obviamente chegou ao Brasil, mas não de maneira igual. “A crise não é linear “, afirma o executivo. Segundo Dutra, no Brasil, a Unilever elaborou um detalhado planejamento estratégico até o ano de 2012, que permite ver o cenário de uma maneira mais equilibrada, numa visão de longo prazo que é menos impactada. “Além disso, a Unilever atua por pesquisa, inovação e comunicação, ou seja, profundo conhecimento do mercado, foco na antecipação de tendências e expectativas do consumidor, proporcionando assim uma comunicação diferenciada e relevante”, explica o executivo.

INVESTIMENTOS EM MARKETING
Outra pesquisa sobre os impactos da crise foi realizada pelo IBOPE Inteligência com
executivos de marketing de empresas associadas à Câmara Americana de Comércio
(Amcham). O resultado aponta que a maior preocupação para o ano de 2009 é a
desaceleração da economia nacional (84%). Segundo Laure Castelnau, diretora-executiva de Atendimento e Planejamento do IBOPE Inteligência, a avaliação que os executivos fazem sobre 2008 está impactada pela crise internacional. “Esse impacto, até o momento, é mais forte no macro do que no microambiente”, analisa.

Para 2009, a tendência é de redução da intensidade do crescimento das empresas em
comparação com os anos de 2007 e 2008. Para 14% do empresariado, serão realizados
menos investimentos de uma forma geral. O foco será em novos mercados (74%),
novos produtos e serviços (58%) e novos canais de vendas (51%)
. “A expectativa de crescimento do investimento em marketing é mais tímida do que a de 2007 e coincide com o crescimento observado entre 2007 e 2008: 13%”, antecipa Laure.

Ações de relacionamento com o mercado entram com força na lista das ferramentas
mais usadas e que mais crescerão (foram apontadas por 54% dos entrevistados) assim
como comunicação dirigida (também 54%) e eventos (50%). A aposta na internet como
meio de comunicação se mantém alta (56% acreditam que crescerão os investimentos
nessa mídia em 2009), porém bem concentrada em site próprio (70% de quem utilizou a internet como meio de comunicação em 2008 o fez por meio do próprio site).

VISÃO DO ESPECIALISTA
Mas, afinal, será que dá para prever o que vai acontecer com a economia brasileira em 2009? Segundo o ex-diretor do Banco Central e sóciofundador da Ciano Consultoria, Illan Goldfajn, neste momento, o País enfrenta a crise financeira, a que é sentida, por exemplo, na bolsa de valores. O impacto econômico, que afeta o emprego e a renda, deverá ocorrer no ano de 2009. “Até agora, o Brasil não sentiu quase nada, demonstrando ter uma economia forte”, afirma o especialista. “Mas acredito que a economia vai desacelerar”, declara.

Alguns setores, como o automobilístico, já sentiram os efeitos da crise. “O crédito para o financiamento de veículos já caiu”, comprova Goldfajn. Outro indício de que o País já começou a sentir os efeitos de uma provável desaceleração é o fato de as contratações terem registrado queda no mês de outubro. “Além da escassez de crédito, as pessoas deixam de consumir, pois há muitas dúvidas sobre contrair dívidas agora sem saber se elas terão emprego mais para a frente”, esclarece. Nesse sentido, os setores que dependem muito do crédito podem sentir mais do que os outros.

Goldfajn lembra que o Brasil está, em alguns aspectos, em situação privilegiada em relação a países do Leste Europeu, por exemplo, que estão mais endividados e essas dívidas são em moeda estrangeira. “Com a diminuição da dívida externa, o endividamento em moeda local e o acúmulo de reservas (o Brasil tem US$ 206 bilhões, volume suficiente para pagar suas dívidas), o País não fica tão suscetível numa situação
como essa”, afirma. “De qualquer forma, nenhum país está imune”, conclui o especialista.

SEGUNDA MAIOR ANUNCIANTE DO PAÍS, UNILEVER INVESTE EM COMUNICAÇÃO CORPORATIVA EM 2009
A importância do papel da comunicação num momento como esse foi um dos pontos ressaltados por Luiz Carlos Dutra, vice-presidente de Assuntos Corporativos da Unilever. “Olhando o mercado brasileiro e as oportunidades que aqui se apresentam, podemos ver que a empresa se beneficia da força de suas marcas alinhada com a importante reputação corporativa”, diz. O Brasil foi o primeiro País em que a Unilever fez comunicação da marca corporativa. Segundo o ranking de anunciantes da ferramenta Monitor Evolution, produto do IBOPE Mídia que mede o investimento publicitário em diversos meios, apenas no primeiro semestre de 2008 a empresa investiu mais de R$ 850 milhões em mídia e é a segunda maior anunciante do País. Para se ter uma idéia, no mesmo período de 2007, a empresa investiu R$ 507 milhões,
enquanto durante todo o ano passado esse volume saltou para R$ 1,4 bilhão. Para o ano de 2009, a empresa dará seqüência ao plano da Unilever 2012 e está preparando
quatro filmes inéditos da marca corporativa.

METODOLOGIA
Perspectivas 2009 – Pesquisa realizada pelo IBOPE Inteligência com o objetivo de apurar a opinião da população brasileira em novembro de 2008 sobre o impacto da crise financeira internacional no Brasil. Os resultados mostram o que os brasileiros pensavam sobre a crise no momento em que essas informações foram coletadas, podendo haver diferenças em relação ao resultado de outras pesquisas, uma vez que a opinião da população é dinâmica e muda na medida em que novos fatos vêm a público.
Amostra – 2.002 entrevistas com 141 municípios de todas as regiões do Brasil. Idade: 16 anos ou mais. Classe social: AB, C, DE.
Período – de 13 a 16 de novembro de 2008.
Margem de erro – Dois pontos percentuais, para mais ou para menos, considerando o intervalo de confiança de 95%.

Acesse a apresentação completa do estudo Perspectivas 2009
 
GIRO
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- Luís Paulo Montenegro • Diretor Corporativo - Rogerio de A. Cajado • Diretora de Recursos Humanos e Organização - Amélia Caetano • IBOPE Media: CEO - Flavio Ferrari • Diretor Executivo - Antonio Ricardo Ferreira • Diretora Comercial - Dora Câmara • IBOPE Inteligência: CEO - Nelsom Marangoni • Diretoras Executivas de Atendimento e Planejamento - Laure Castelnau e Márcia Cavallari • Diretor Executivo de Desenvolvimento e Soluções Técnicas - Ney Luiz Silva • Instituto Paulo Montenegro: Diretora Executiva - Ana Lúcia Lima
IBOPE
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