Que o Brasil é líder mundial
em horas de consumo
doméstico de internet provavelmente você já ouviu
falar. E que o País também encabeça o
ranking dos usuários de ferramentas 2.0,
como blogs, wikis, webcasts e mobile marketing, você sabia? Além do crescente
acesso à rede pelos consumidores das
classes C e D, outro dado
interessante – que ilustra
bem a épica dimensão do
fenômeno das mídias digitais –
é o de que praticamente seis em
cada dez internautas brasileiros
(57%) integram hoje a chamada
“blogosfera”, quase o dobro da
média mundial (31%). No que diz respeito
à atualização de páginas em redes sociais,
também conhecidas como “comunidades
virtuais”, o Brasil crava 52% ante os mesmos 31% do restante do mundo, de acordo com a pesquisa Social Media Traker, da Universal Mccan.
Outro estudo, da agência de
Relações Públicas Edelman, revela que,
para os jovens adultos americanos
(25–34 anos), a Wikipédia, os blogs e
os sites de comunidade apresentam
maior credibilidade do que os anúncios
publicitários quando o assunto é
informação sobre uma empresa. E dados
da Nielsen mostram que a audiência de
televisão por parte dos participantes de
redes sociais é menor do que a média
americana.
Eis apenas algumas amostras
do tremendo potencial da web
2.0. E, por tabela, da efetiva
mudança das regras do jogo no
que se refere à valorização das
marcas – o que vem acarretando
um enorme desafio para agências
de publicidade, profissionais da
área de marketing, anunciantes,
empresas de pesquisa e por aí
afora. “O monopólio midiático do broadcast, representado pelos meios de comunicação tradicionais em que um fala com muitos, está em xeque”, diz Marcelo Coutinho,
diretor de Análise de Mercado
do IBOPE Inteligência. “A partir
das novas e múltiplas plataformas
eletrônicas de comunicação e da
explosão das redes sociais, as TVs,
rádios, revistas e jornais impressos
vêm dividindo cada vez mais espaço
com o modelo socialcast, em que,
por meio da interação de conteúdo,
muitos falam com muitos”.
Segundo o executivo, hoje
boa parte das trocas sociais foi
transferida para o mundo dos bits
e bites. Isso tem permitido que
clientes e consumidores
reúnam-se espontaneamente
para falar (bem e mal) de marcas,
produtos e serviços, sem que
aqueles que gastam fortunas para
produzi-los – as empresas – sejam
convidados para a festa. “Vale
lembrar que nunca na história
da mídia um meio acabou com
o outro. Da mesma forma, esses
novos formatos de comunicação
vão se combinar com os formatos
tradicionais, gerando uma estrutura
de mídia mais complexa do que a
que temos hoje”, analisa Coutinho.
Diante disso, criar estratégias
de aproximação com os principais
formadores de opinião do
mundo digital é o que irá
diferenciar, de fato, uma
empresa da outra.
A fim de facilitar e estreitar
esse relacionamento, o IBOPE
Inteligência lançou, este ano,
uma nova metodologia de
pesquisa qualitativa, voltada
para a análise de conteúdo
produzido em blogs brasileiros
e na comunidade social mais
popular do País, o Orkut. O
objetivo: identificar os formadores
de opinião com alto capital social. Ou seja, internautas com grau de
influência suficiente para difundir informações e opiniões de peso entre sua rede de contatos – esua ampla e fiel audiência –, ajudando a persuadir as decisões de compra alheias. “Os de maior
prestígio e poder de comunicação
não são necessariamente os que
falam muito, mas aqueles que,
quando falam, todos param para
ouvir”, afirma Coutinho. “É com
essas pessoas que as companhias
devem buscar o diálogo e o
entendimento por meio de uma
comunicação aberta, interativa e
descentralizada.” |