VEM AÍ A NOVA GERAÇÃO DE METERS
Aparelhos capazes de aferir audiência de TV em diversos meios serão lançados até o fim de 2010
Até pouco tempo, assistir
à televisão no celular ou
no computador parecia
impossível, mas, graças
a avanços tecnológicos, o que era
impraticável tornou-se realidade. E não
é preciso ir muito longe para assistir aos
programas preferidos fora de casa.
No Brasil, já é possível adquirir celulares
que permitem sintonizar de graça os
canais de TV aberta analógica ou digital
ou que disponibilizem assinaturas pagas
para os canais da TV a cabo. Para fazer
o mesmo no computador, é necessário
ter um pouco mais de infraestrutura:
conexão de banda larga e, em alguns
casos, decodificadores e aplicativos para
visualizar o conteúdo oferecido.
De olho nessa realidade, que
apenas começa a ganhar espaço no
país, e na crescente complexidade
e diversidade das instalações dos
televisores, o IBOPE Mídia se dedica ao
desenvolvimento de uma nova geração
de Meters. Eles serão capazes de aferir
audiência em diversas plataformas,
dentro e fora de casa. Para Adriana Scalabrin, diretora de informações de marketing da TV Globo, é um trabalho fundamental para que a emissora possa estabelecer
a relação da TV aberta e seu
conteúdo via outras plataformas.
“Nós acreditamos em multiplataformas,
pois o consumidor atualmente é
multifacetado. O consumidor muda
e os meios de comunicação também
têm de se adaptar. Imagino que essa
realidade se concretize nos próximos anos no Brasil,” comenta Adriana.
A maioria das soluções parte do
princípio do reconhecimento do som.
Segundo Luiz Antonio Motta, diretor
de desenvolvimento de produto do
IBOPE Media, seja qual for a mídia, o
aparelho sempre será compatível com
a audição. “A tecnologia muda, mas a
audição será sempre a mesma”, afirma.
E é justamente por causa dessa sua
característica universal que o recurso
será utilizado para substituir a tecnologia
atual. “É a solução do momento, que
inclusive já é utilizada pelas principais
empresas de pesquisa do mundo”,
conta Antonio Ricardo Ferreira, diretor
executivo do IBOPE Mídia.

Tecnologia
A medição da audiência de TV no
celular é um tema que se encontra
em fase inicial de desenvolvimento e,
entre outras etapas, prevê a criação de
um software que deverá ser instalado
no próprio aparelho. “Na prática, ele
vai codificar o canal que está sendo
assistido e gerar, a cada momento que
for determinado, uma informação que
será enviada para a nossa central de
processamento”, explica Motta. Ainda
não há previsão de quando o sistema
deverá estar efetivamente no mercado.
“Esperamos operar em sistema-piloto
até o fim deste ano”, afirma Ferreira.
“Atualmente, não há nenhum lugar
no mundo, nem mesmo no Japão, que
tem um sistema de TV aberta digital
semelhante ao nosso, onde a medição
de audiência de TV aberta, sintonizada
por telefones celulares, seja feita eletronicamente”, enfatiza.
Mais próxima de se tornar realidade,
a aferição da TV na internet será feita por
um Meter que identificará os programas
assistidos por meio de sinais de áudio.
Ferreira espera que até o fim de 2010
seja possível disponibilizar para o
mercado um Meter-software compatível
com a maioria dos equipamentos
(PCs e notebooks) atuais.
Mobilidade
Os Meters fixos, utilizados
para medição de audiência
nos domicílios, também
ganharão uma versão
renovada, em acordo com a
tecnologia baseada no princípio de
reconhecimento do som. “O Meter fixo
será a primeira alternativa de aferição
nas residências, mesmo para instalações
mais complexas, LCD e plasma.
Os aparelhos são parecidos com os que
usamos atualmente conectados aos televisores”, diz Ferreira.
Segundo o executivo, o desafio é o
de fazer com que as mesmas pessoas
da amostra domiciliar usem um Meter celular ou um outro pequeno device portátil para coletar informações do que
assistem na TV fora de casa. Ferreira se
refere aos Meters portáteis, aparelhos
que têm processador, memória,
microfone e capacidade de transmitir
dados. O funcionamento parece
simples: o sistema grava assinaturas
eletrônicas do som do conteúdo da
emissora de televisão que está sendo
assistida e as envia para uma central
de processamento. Para identificar
o programa e a emissora assistida,
o sistema compara essas assinaturas
com a gravação do som de todas as
emissoras armazenadas no
banco de dados central.
A interface para que todo
esse processo ocorra é
o microfone.
De acordo com
Ferreira, o objetivo
é o de ter-se
capacidade de
medir audiência
de programas
assistidos em qualquer plataforma e
lugar. No exemplo do Meter celular,
um software é instalado e o aparelho
pode ser levado para qualquer lugar.
“Para medir a audiência, é só colocar o
aparelho próximo ao televisor para que
capture e envie a assinatura eletrônica
do som”, diz Motta. O primeiro teste
da versão móvel do Peoplemeter está
previsto para ocorrer ainda este ano, em
São Paulo. O painel terá 40 domicílios
e 130 pessoas que terão avaliação dos
novos equipamentos. As três soluções
deverão ser disponibilizadas para o
mercado no primeiro semestre de 2010.

Expansão
Apesar da crise, o IBOPE Mídia
manteve todos os investimentos
previstos, mesmo sob o risco de não
ter a demanda esperada no ano
passado. “Para fazer isso é preciso
coragem e estabilidade interna,
características presentes no nosso
negócio”, conclui Ferreira. |