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"A tecnologia pode ser
uma grande aliada do aprimoramento do ensino"

Ana Lúcia Lima

 

"O desenvolvimento de regiões começa no desenvolvimento de pessoas"

Emílio Munaro

 

TÃo longe, tÃo perto

A tecnologia da informação e a comunicação pode ser uma grande aliada na melhoria da qualidade do ensino brasileiro

De um lado, a realidade ágil e moderna de uma sociedade que vive em plena era da informação e do conhecimento. De outro, a necessidade de melhorar a qualidade do ensino público e de formar professores. Mas, o que falta para que esses caminhos encontrem-se e gerem resultados? “Num país de superlativos como o Brasil, a tecnologia pode ser uma grande aliada do aprimoramento do ensino em suas diferentes dimensões”, afirma a diretora executiva do Instituto Paulo Montenegro, Ana Lucia Lima.

O caminho a ser percorrido é longo, mas diversas iniciativas têm pavimentado a estrada que integra a realidade da escola, do educador e do gestor à realidade do século 21. “Desde o princípio, nosso foco foi o de contribuir para a educação no Brasil e decidimos fazer isso por meio de cursos de formação continuada a distância para educadores da rede pública. Logo percebemos que a fim de dar escala aos nossos programas, teríamos de investir em tecnologia da informação”, diz a gerente de projeto do Instituto Razão Social, Walkyria Acquesta Dias. De acordo com ela, a dimensão territorial e a diversidade brasileira aliadas a custos mais baixos foram fatores decisivos na estruturação de cursos e consultorias a partir de uma plataforma de educação a distância.

Mesmo diante de críticas, a educação a distância vem sendo amplamente empregada na formação de pedagogos ou licenciaturas relacionadas. A Universidade de Caxias do Sul (UCS) foi uma das instituições que aderiram à modalidade e chega a locais do estado por meio de 13 polos, que dificilmente poderiam ser alcançados com cursos presenciais.

A docente do centro de filosofia e educação da UCS, Nilda Stecanela, atua por meio de aulas presenciais, semipresenciais e a distância, conhecendo os benefícios de cada uma delas. No curso de pedagogia, sua disciplina foi a primeira a ser ministrada na modalidade semipresencial. Para isso, teve de passar por formação específica, oferecida pela própria universidade. Segundo Nilda, a tecnologia da informação e comunicação é também utilizada pela universidade no modelo presencial. “As aulas ocorrem na sala de aula e continuam no ambiente virtual de aprendizagem, ampliando as possibilidades de diálogo entre professor e aluno”, explica.

O curso de pedagogia a distância é muito procurado por professores que já exercem a profissão e buscam o nível superior. Nilda possui 360 alunos divididos por polos e conta com a ajuda de tutores. “Nosso projeto pedagógico está muito bem organizado e assim oferecemos um programa de alta exigência e qualidade”, garante. Leitura, escrita e organização do tempo são os aspectos mais exigidos tanto de professores quanto de alunos.

Nas escolas

Alunos de escolas da rede pública de todo o Brasil colhem os resultados, desde 2000, do programa Tonomundo, uma das iniciativas do Instituto Oi Futuro. As escolas participantes são equipadas com laboratórios de informática e, a partir deles, alunos e professores são incentivados a criar projetos sociais locais utilizando ferramentas virtuais. O programa prevê, ainda, a formação continuada de professores que transferem aprendizado para outras escolas. “Aplicamos nossos recursos em programas com base nos indicadores do Ministério da Educação (MEC) e de órgãos estaduais e municipais, pactuando com as secretarias pela melhora da qualidade do ensino”, afirma a gerente de tecnologias educacionais do Instituto Oi Futuro, Maíra Pimentel.

Outra empresa que também encontrou uma fórmula própria de compartilhar seus conhecimentos em tecnologia com os segmentos da educação é a Microsoft. Hoje, a companhia mantém programas que abrangem desde a inclusão social por meio da inclusão digital até o preparo, a motivação e a capacitação de estudantes que desejam seguir carreira no campo da tecnologia da informação. Por meio de projetos educacionais, a empresa coloca à disposição toda a sua capacidade de inovação, tecnologia e conhecimento de gestão e motivação. “Acreditamos que o desenvolvimento de regiões começa no desenvolvimento de pessoas e é isso que os programas da Microsoft buscam”, afirma o diretor de educação da Microsoft Brasil, Emílio Munaro.

Indicadores

Ao lado da iniciativa privada, o Governo Federal também está empenhado na disseminação de recursos tecnológicos nas escolas. O Programa Nacional de Informática na Educação (ProInfo) e o Banda Larga nas Escolas são exemplos de propostas que poderiam mudar o ambiente escolar, embora, na prática isso nem sempre ocorra. “Temos uma pista de que mesmo disponíveis, computadores, internet e banda larga são pouco usados nas escolas públicas. Muitas vezes, os equipamentos ficam trancados, desatualizam-se, professores não dominam sua utilização, entre outros fatores”, explica o gerente do Centro de Estudos sobre o uso das Tecnologias da Informação e da Comunicação (TICs) no Brasil, Alexandre Barbosa.

Segundo ele, a instituição está preocupada em entender qual o verdadeiro impacto que a tecnologia tem no sistema educacional. Para isso, realizará pesquisas quantitativas e qualitativas de 2010 a 2013, sendo a primeira com 500 escolas públicas de todo o Brasil, e a segunda com 12 instituições de ensino. Os resultados devem ser utilizados para desenhar políticas públicas na área da educação.

Mais um aliado no desenvolvimento de indicadores sobre o tema é o Instituto para o Desenvolvimento de Inovação Educativa (IDIE). Integrante da Organização dos Estados Ibero-americanos (OEI), tem como proposta aplicar oito indicadores de perenidade e sustentabilidade da integração das TICs nas escolas, com foco na gestão escolar e sua relação com as políticas públicas. Trata-se de uma metodologia de autoavaliação.

“O projeto está no segundo ano, momento no qual estamos avaliando o projeto-piloto desenvolvido para a rede municipal de ensino de São Paulo”, diz a coordenadora do instituto, Márcia Padilha. "Num próximo momento, queremos disseminar o uso da ferramenta nos países ibero-americanos. O instrumento é livre e aberto e será lançado no seminário de metas 2021, que ocorre na Argentina, em setembro do próximo ano”, conta Márcia. Na ocasião, as metas educacionais da OEI serão revalidadas pelos Ministros da Educação dos países que integram o grupo.

A realidade brasileira do uso dos computadores e da internet também pode ser conhecida por meio de estudo que acaba de ser realizado pela Fundação Victor Civita em parceria com o IBOPE Inteligência. “Vamos disseminar os resultados da pesquisa para todos os atores dessa comunidade com a apresentação dos resultados para especialistas e a publicação de conteúdo em nossas revistas especializadas”, afirma a diretora executiva da Fundação, Ângela Dannemann. Segundo ela, as pesquisas abrem novos horizontes e levam conhecimento e reflexão sobre o tema aos responsáveis. “Acreditamos na tecnologia como ferramenta à serviço da educação”, conclui.

IBOPE
Presidente - Carlos Augusto Montenegro • Vice-presidente
- Luís Paulo Montenegro • Diretor Corporativo - Rogerio de A. Cajado • Diretora de Recursos Humanos e Organização - Amélia Caetano • IBOPE Media: CEO - Flavio Ferrari • Diretor Executivo - Antonio Ricardo Ferreira • Diretora Comercial - Dora Câmara • IBOPE Inteligência: CEO - Nelsom Marangoni • Diretoras Executivas de Atendimento e Planejamento - Laure Castelnau e Márcia Cavallari • Diretor Executivo de Desenvolvimento e Soluções Técnicas - Ney Luiz Silva • Instituto Paulo Montenegro: Diretora Executiva - Ana Lúcia Lima

GIRO
Publicação trimestral institucional do IBOPE para públicos interno e externo • supervisão e edição: gerência de Comunicação Institucional, Valéria Segato Covre Fernandez (MTb 20.100) • coordenação: Taís Bahov (MTb 53.300) e Cláudia Jardim • entrevistas e textos: Ana Beatriz Ansarah (MTb 40.418) • edição de arte e produção gráfica: D´Lippi Design + Print • fotos: Shutterstock, Stockexpert e Paulo Pampolim • revisão: Eliete Soares • endereço para correspondência: Alameda Santos, 2101 - 8º andar – São Paulo/SP – CEP 01419 002 – comunicacao@ ibope.com. A versão eletrônica da publicação está disponível no endereço www.ibope.com. Autorizada a publicação dos dados contidos nas matérias desde que citada a fonte.