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IBOPE//NetRatings lança produto sobre redes sociais

   
Nelsom Marangoni

"A importância da pesquisa é indiscutível para o processo democrático e para a sociedade"
Márcia Cavallari

"O cenário de rápidas mudanças na intenção de voto do eleitor torna o trabalho dos institutos de pesquisa ainda mais complexo"

A nova era das eleições

IBOPE Inteligência lança ferramenta que oferece
dados sobre o comportamento anterior dos eleitores

Em outubro deste ano, cerca de 130 milhões de eleitores vão escolher os representantes do Executivo e do Legislativo dos 5.565 municípios brasileiros. Nessa disputa é estratégico, e cada vez mais importante, o uso das pesquisas. Um instrumento que não se limita a aferir intenção de voto, mas também fazer estudos qualitativos e quantitativos, cobrindo as três fases de uma campanha: mapeamento do eleitorado em termos sociais e políticos; posicionamento do candidato, do partido e de forças concorrentes; e acompanhamento da campanha. Experiência e conhecimento que o IBOPE vem adquirindo desde o governo Juscelino Kubitschek, em 1945. A partir de então, a empresa passou a trabalhar com pesquisa eleitoral para todas as esferas de governo: federal, estadual e municipal. Segundo Nelsom Marangoni, CEO do IBOPE Inteligência, a importância da pesquisa é indiscutível para o processo democrático e para a sociedade. “Trata-se de uma informação neutra, precisa, totalmente separada de qualquer ideal e interesse, que ajuda no processo de tomada de decisões”, afirma o executivo.

Para as eleições de 2008, o IBOPE Inteligência realiza o lançamento de uma ferramenta que irá, juntamente com as demais metodologias, dar subsídios para a campanha dos candidatos. Trata-se do Geopolítico, um produto que tem como base a tecnologia de georreferenciamento, que permite gerar informação sobre o comportamento eleitoral em anos anteriores. Segundo Márcia Cavallari, diretora executiva de atendimento e planejamento do IBOPE Inteligência, a partir desse produto, o candidato tem acesso a informações sobre o pleito de 2004, permitindo a elaboração da estratégia de atuação para as várias regiões do município nas eleições de 2008. “É possível ver, por exemplo, por meio de um mapa, em que regiões os candidatos Marta Suplicy e José Serra obtiveram mais votos”, comenta Márcia. “É possível observar também quais os vereadores que se destacaram em cada região da cidade”, complementa.

O novo sistema, desenvolvido em parceria com a empresa Geografia de Mercado, permite ainda analisar o desempenho dos candidatos e dos principais concorrentes, no município e em parte dele. Auxilia no planejamento das pesquisas e permite identificação de parcerias nos redutos estratégicos. De acordo com Márcia, a criação do produto tornou-se viável com a informatização dos dados eleitorais e por conta do desenvolvimento de uma ferramenta de georreferenciamento mais avançada e amigável que as anteriores, possibilitando a análise de dados num mapa. Os relatórios serão comercializados sob demanda aos candidatos interessados.

Outro fator que diferencia a participação do IBOPE Inteligência nas eleições deste ano é o fato de que todos os funcionários, que antes eram de diferentes companhias do mesmo grupo, passaram a se envolver e a aprender sobre o tema. Para Marangoni, além da importância econômica para os resultados da empresa, as eleições trazem este ano outro fator, o motivacional. “Quanto mais o nosso colaborador tiver experiência com metodologias diferentes, mais ele se desenvolverá e se tornará um profissional mais completo”, diz o executivo.

Eleições municipais

Os eleitores, assim como os candidatos, foram aprendendo, com o exercício do voto, a desenvolver uma estratégia para votar. Os impactos entre as modalidades de pleitos são diferenciados. E o das eleições municipais certamente é o que está mais próximo da sociedade. Afinal, o que está em jogo é o dia-a-dia do cidadão: se a rua está com buraco ou não, se o lixo foi recolhido ou não. Já uma eleição presidencial, onde o impacto é da maior importância, promove uma discussão mais ampla. Segundo Márcia Cavallari, as pessoas se envolvem muito nas duas ocasiões. “Como vivemos um período de ditadura por um longo tempo, as pessoas valorizam muito o ato de votar e, à medida que votam, aprendem cada vez mais a respeito”, explica. Outro fator que diferencia as eleições municipais da presidencial é o tempo que a informação leva para atingir todos os eleitores. Um fato novo, por exemplo, se dissemina mais rapidamente dentro dos municípios, enquanto em eleições nacionais esse processo é mais lento.

Uma mudança relevante é que o cidadão decide seu voto cada vez mais próximo das eleições, independente do tipo de pleito. “Ele observa tudo o que acontece durante a campanha para, então, decidir”, garante Márcia. “Numa pesquisa que é realizada momentos antes da definição dos candidatos que irão disputar o pleito, o eleitor manifesta preferências, mas a decisão é reservada para a reta final”, comenta.

Credibilidade da pesquisa

O cenário de rápidas mudanças na intenção de voto do eleitor torna o trabalho dos institutos de pesquisa ainda mais complexo. Como ter a qualidade e a credibilidade preservadas, numa ocasião como essa? No caso do IBOPE, a credibilidade foi construída ao longo do tempo, sendo hoje um dos maiores patrimônios da empresa. São 66 anos de atuação no mercado, período no qual se tornou sinônimo de pesquisa, ao passar a figurar nos dicionários de língua portuguesa.

Um aspecto fundamental para que a sociedade encare a pesquisa eleitoral como uma ferramenta de informação de qualidade é o fato desse tipo de estudo ser o único onde podem ser conferidos 100% dos resultados. “Algumas horas depois, já é possível saber se a pesquisa acertou ou errou”, afirma Márcia. “E os resultados do nosso trabalho dão credibilidade a ele”, completa.

Fonte de informação

Uma das características do trabalho de pesquisa é a medição de algo volúvel, a opinião das pessoas. É possível notar que à medida que a opinião pública vai recebendo insumos da campanha dos candidatos, ela revê ou não sua opção de voto. Nesse contexto, as relações pessoais são uma das fontes de informações levadas em conta pelo eleitor para a tomada de decisão final. Nota-se ainda que o dia seguinte ao debate é rico em discussões e comentários a respeito da performance do candidato. “Nas conversas com as pessoas, as opiniões também vão se formando”, explica Márcia.

O papel da internet

O papel da internet nos pleitos brasileiros ainda está sendo delineado, mas é uma novidade que precisa ser monitorada. “Apesar do meio ter uma penetração maior nas classes mais altas, já começa a haver uma mudança, que no Brasil deve ser sentida num futuro próximo”, diz a executiva. Nos Estados Unidos, por exemplo, os candidatos lançaram suas campanhas à presidência da república na internet e não mais nos meios tradicionais de comunicação, como a televisão e o rádio.

Por aqui, o potencial de comunicação permanece alto, apesar da recente polêmica surgida a partir da promulgação de regulamentação do Tribunal Superior Eleitoral, que proíbe a propaganda eleitoral pela internet - é permitido fazê-la apenas no site oficial do candidato. Afinal, não dá para negar a importância da internet na vida dos brasileiros. Nessa disputa, é estratégico e cada vez mais importante o uso das novas tecnologias. Segundo o IBOPE//NetRatings, 22,4 milhões de brasileiros utilizaram a internet residencial em abril de 2008, número 41% maior do que o obtido em abril de 2007.

Blogs, comunidades e youtube

Um estudo realizado pelo IBOPE Inteligência revela que a movimentação de eleitores por meio de blogs, sites de comunidades e no YouTube, site que permite que seus usuários carreguem, assistam e compartilhem vídeos em formato digital, já apresentou níveis intensos em 2006.

No início de maio, havia mais de 180 comunidades no Orkut sobre os principais candidatos a prefeito de São Paulo. Enquanto que em julho de 2006, havia 46 comunidades sobre o mesmo tema. Uma busca pelo YouTube, utilizando a tag “eleições 2008”, também já resulta em diversos arquivos feitos pelos eleitores para as eleições deste ano.

No pleito de 2006, a equipe coordenada por Marcelo Coutinho, diretor de análise de mercado do IBOPE Inteligência, analisou, entre junho e outubro, os principais blogs políticos do país e comunidades do Orkut que abordavam o processo eleitoral. A pesquisa concluiu que cerca de um milhão e meio de pessoas estavam em comunidades que discutiam as eleições.

A análise também mostrou que, naquele ano, o uso da internet como fonte de informação sobre política para os eleitores somou 6%, superando as revistas, que registraram 4%. Entre o público com maior escolaridade, a internet ficou com 25% das preferências como fonte de informação, contra 9% registrado pelas revistas e 15% pelo rádio.

Nas eleições municipais, em que muitos candidatos não dispõem de recursos financeiros suficientes, a campanha on-line ganha importância. “A internet ainda não é o principal veículo para disseminação de informações políticas, que continua sendo a TV, mas para a campanha de um candidato a vereador, por exemplo, em que o espaço para ele expor suas propostas é pequeno, a internet passa a ser um meio importante”, comenta Márcia.

Workshop de pesquisas eleitorais

O 2º Workshop “Publicação de Pesquisas Eleitorais”, organizado pela Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa (Abep), reuniu cerca de 70 jornalistas, em julho, para discutir os elementos que compõem as pesquisas eleitorais, assim como a dinâmica de sua leitura. Márcia Cavallari, diretora de atendimento e planejamento do IBOPE Inteligência, apresentou as metodologias básicas das pesquisas qualitativas e quantitativas, os conceitos de erros amostrais e não-amostrais e as formas de leitura e interpretação correta dos dados.

"A idéia do workshop é formar e instruir os jornalistas para a leitura correta dos dados das pesquisas eleitorais divulgadas", comenta a executiva. Além de Márcia, também participaram da apresentação Waldyr Pilli, presidente da Abep, Francisco José de Toledo, da Toledo e Associados, e  Carlos Marchi, repórter especial de política do jornal O Estado de S. Paulo.

 
GIRO
Revista trimestral do IBOPE para os públicos interno e externo, disponível nas versões impressa e eletrônica. Supervisão geral e edição: Valéria Segato Covre Fernandez (Mtb 20.100). Coordenação: Taís Bahov (Mtb 53.300). Entrevistas e textos: Ana Beatriz Ansarah (Mtb 40.418) e Ketchum Estratégia (Letícia Colombini - Mtb 26.598 e Eri Yoshiy - Mtb 27.635). Edição de arte e produção gráfica: D'Lippi Design + Print. Fotos: Shutterstock e Paulo Pampolim. Site: Estúdio Zinne. Endereço para correspondência: Alameda Santos, 2101 - 8º andar - São Paulo/SP - CEP 01419 002 - comunicacao@ibope.com - www.ibope.com.
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