edição 17 • ano 5 • abr/mai/jun 10 | HOME |
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Uma década de iniciativas
bem-sucedidas
 
“Sou contra propostas de restrição à divulgação de pesquisas porque rompem certas intermediações”

Demétrio Magnoli

 
"Cada eleitor interpreta os resultados de uma pesquisa à sua maneira e as ações
podem ser tantas que
é impossível afirmar
que a pesquisa exerce uma influência unidirecional"

Márcia Cavallari
 
"A pesquisa é um instrumento legítimo dentro do repertório de informações que o cidadão dispõe para
decidir o seu voto"

Hélio Gastaldi
 

"As pesquisas revelam quais temas encontram mais receptividade e permitem ao candidato fazer uma sintonia fina em sua campanha"

Rogério Schmitt

PESQUISAS INFORMAM O LEITOR

No momento em que os partidos intensificam suas ações pela conquista do voto, as pesquisas cumprem seu papel de informar todas as partes interessadas

O processo político brasileiro passou por uma grande evolução nos últimos vinte anos. Depois de um longo período, o país conseguiu firmar sua estabilidade econômica e democrática e muitos cidadãos estão mais conscientes do valor de seu voto como instrumento de transformação da sociedade e da construção de um futuro melhor para si e para as próximas gerações.

Nesse contexto, saber mais sobre os candidatos é uma condição necessária para acertar na escolha. E as pesquisas contribuem para isso. “Nas democracias de massa, os eleitores se relacionam com partidos e candidatos com a intermediação
da mídia. As pesquisas fazem parte desse processo em que os eleitores acompanham o sentimento da Nação sobre os políticos e os temas”, diz Demétrio Magnoli, sociólogo e doutor em geografia humana pela Universidade de São Paulo (USP).

“A pesquisa também ajuda o eleitor a comparar sua opinião com a de determinados grupos. Mas não é a única fonte de informação do cidadão, que pode acompanhar o
que é divulgado pela mídia e, além disso, também consultar sua rede de relacionamentos”, argumenta Márcia Cavallari, CEO do IBOPE Inteligência.

“Os eleitores não votam porque a pesquisa disse isso ou aquilo. A experiência histórica brasileira e de outros países mostra que isso é falso. As pessoas se informam sobre o cenário político e, em uma sociedade democrática, a informação ajuda o eleitor”, afirma Magnoli. “Existe outro mito de que parte do eleitorado vota em quem está na frente, mas essa tendência nunca foi demonstrada. Acho que é uma lenda politicamente motivada por quem quer restringir a divulgação”, complementa.

“Na verdade, a influência da pesquisa está mais presente na militância, nos stakeholders e na captação de recursos para campanhas”, analisa Hélio Gastaldi, diretor de atendimento e planejamento do IBOPE Inteligência.

“Elas são fundamentais nas campanhas eleitorais modernas, pois permitem tomar decisões estratégicas”, argumenta Rogério Schmitt, cientista político do Centro de Liderança Pública.

Efetivamente, as pesquisas geram informações valiosas, sobretudo para os partidos durante a elaboração de estratégias. Além da intenção de voto, que sinaliza o horizonte, há outros dados cruciais, como o índice de rejeição, que mostra o potencial de crescimento do candidato, e a taxa de aprovação do governo, que pode favorecer os candidatos apoiados por ele. “Conhecimento do candidato é outra informação relevante, principalmente no período em que as campanhas ainda não se iniciaram. Na verdade, cada variável tem um papel importante”, argumenta Rogério Schmitt.



Estudo sobre cenário eleitoral é premiado em congresso

A CEO do IBOPE Inteligência, Márcia Cavallari, recebeu em maio, em Chicago, o prêmio de melhor paper na categoria sociedades em transição, durante a 63ª Conferência Anual da Associação Mundial de Pesquisas de Opinião Pública (The
World Association for Public Opinion Research – Wapor).

O estudo Cenário Eleitoral 2010: Mudanças e Continuidades no Comportamento Eleitoral do Brasil pós-Lula foi apoiado em pesquisas qualitativas e quantitativas realizadas com o objetivo de compreender as percepções, as atitudes e os valores dos cidadãos que influenciam suas motivações e decisões no período eleitoral. Os resultados mostraram que a prática do exercício do voto está mudando o processo de escolha.

O trabalho impressionou os juízes pelo uso de várias metodologias, que incluem a análise de estudos anteriores, resultados de pesquisas qualitativas e uma original pesquisa quantitativa com eleitores. “O estudo foi embasado em análises interessantes e sólidas dos dados. Além de ser bem-escrito, faz bom uso de recursos visuais que tornam a argumentação muito clara para o leitor”, avaliou a comissão responsável pela definição do prêmio.

“Agradeço a todos os que se envolveram de alguma forma com esse projeto, em especial João Resende (analista), Malu Giani (gerente) e Silvia Cervellini (diretora), todos da área de atendimento e planejamento do IBOPE Inteligência. Em meio aos trabalhos do dia a dia, eles dedicaram boa parte de seu tempo a escrever e analisar os dados desse paper, que movimentou toda a empresa em um verdadeiro trabalho de equipe”, diz Márcia.

Há pessoas que atribuem à pesquisa eleitoral um poder que ela não tem, como, por exemplo, determinar mudanças radicais da posição do eleitor na reta final. Situações como essas são raras e normalmente acontecem em razão da divulgação de fatos novos e impactantes a respeito de um candidato. “Viradas desse tipo só confirmam que a pesquisa não tem esse poder de influenciar diretamente o voto do eleitor, caso contrário, a intenção de voto divulgada desde o início prevaleceria”, pondera Márcia.

Outro argumento clássico de quem quer desacreditar o rigor das pesquisas é dizer que nunca foi entrevistado, nem conhece quem tenha sido. Realmente a probabilidade de isso acontecer é pequena, o que não significa que as pesquisas não tenham base científica. Para avaliar a intenção de voto para presidente, por exemplo, é suficiente entrevistar uma amostra de duas mil pessoas, definida por critérios estatísticos. Como o Brasil tem cerca de 134 milhões de eleitores, apenas uma pessoa em 67 mil será incluída em qualquer pesquisa nacional.

A mulher e as eleições

Por um longo período da história, a mulher brasileira foi alijada do processo eleitoral, o que se refletiu em seu menor interesse pelo assunto, mas isso está mudando e, na classe média, essa diferença não existe mais. Várias entidades estudam esse tema. A Justiça Eleitoral, por exemplo, avalia a possibilidade de redefinir o sistema de cotas para mulheres no Poder Legislativo, pois o número de candidatas não é o suficiente. O Tribunal Superior Eleitoral, por sua vez, quer mapear o comportamento de eleitoras, principalmente em relação às candidatas. Há indícios de que o voto feminino possa apresentar alguns diferenciais em relação ao voto masculino. Afinal, além de sua percepção diferenciada, no domicílio é a mulher quem está mais atenta à educação dos filhos e à saúde da família, áreas afetadas pelas políticas públicas.

O tamanho da amostra, por sinal, não é proporcional à população, mas dimensionado em função da margem de erro amostral que se espera na pesquisa, do grau de detalhamento que se deseja nos resultados e dos recursos disponíveis, também questionados por quem não tem algum conhecimento de estatística. Mesmo que fosse possível entrevistar a totalidade dos eleitores, o resultado poderia ser diferente do previsto, pois um voto pode ser alterado no último instante.


Para as eleições de 2010, o IBOPE está realizando as tradicionais pesquisas de intenção de voto, bem como outros estudos sob medida para partidos e candidatos que precisam avaliar o cenário político e definir suas estratégias de campanha. O IBOPE atende a todos os partidos e candidatos, indistintamente, obviamente respeitando-se o sigilo das informações de cada um.

”A credibilidade é nosso maior patrimônio e, além disso, o eleitor pode avaliar nossas pesquisas comparando o que divulgamos com o resultado das eleições”, conclui Márcia.

Pesquisas omnibus dividem custos e multiplicam resultados

O IBOPE Inteligência conduz mensalmente pesquisas do tipo omnibus, com abrangência nacional. São estudos quantitativos, realizados de modo cooperado para grupos de clientes que partilham proporcionalmente o custo total. No fim do processo, cada empresa recebe um relatório exclusivo com informações relativas às suas questões específicas.

Pesquisas neste formato proporcionam uma excelente relação custo-benefício
e respondem a todo tipo de questões de comunicação, tais como hábitos de consumo, posse de bens, conhecimento de marcas, perfil socioeconômico, trackings, penetração de categorias e produtos, entre outras possibilidades. A confiança nos resultados é garantida pelo rigor da metodologia e da amostragem probabilística. “É uma opção rápida e econômica de obter dados representativos e relevantes para a tomada de decisão”, explica Laure Castelnau, diretora de marketing e novos negócios do IBOPE Inteligência.

O IBOPE Inteligência realiza pesquisas omnibus em duas versões. A pesquisa Bus face a face, de abrangência nacional, entrevista pessoalmente 2.000 representantes de todas as classes sociais em 140 municípios brasileiros. Já a pesquisa Cati Bus é aplicada por meio do telefone fixo em 1.500 pessoas das classes A, B e C, moradoras de nove regiões metropolitanas, que respondem pela maior parte do consumo no Brasil.

As duas pesquisas são programadas de modo sistemático. Os profissionais do IBOPE conduzem a coleta de dados ao longo de uma semana no início de cada mês. Em seguida, esses dados são processados, gerando as análises e os relatórios que são entregues aos clientes em um prazo total de 15 dias.

Para orientar a escolha do tipo de pesquisa e a formulação das perguntas, os clientes contam com o apoio dos profissionais do IBOPE Inteligência. “Algumas decisões de marketing podem ser facilitadas com poucas perguntas. Há também ocasiões em que a pesquisa nacional pode ser substituída com vantagens pela pesquisa regional. Indicamos a melhor solução para cada necessidade”, argumenta Marcelo Castilho, gerente de atendimento e planejamento do IBOPE Inteligência.


IBOPE
Presidente - Carlos Augusto Montenegro • Vice-presidente - Luís Paulo Montenegro • Vice-presidente de desenvolvimento de negócios - Nelsom Marangoni • Diretor corporativo - Rogerio de
A. Cajado • Diretora de recursos humanos e organização - Amélia Caetano • IBOPE Media: CEO - Flavio Ferrari • Diretor executivo - Antonio Ricardo Ferreira • Diretora comercial - Dora Câmara • IBOPE Inteligência: CEO - Márcia Cavallari • Diretora executiva de marketing e novos negócios - Laure Castelnau • Diretor executivo de negócios e operações Latam - Marcelo Kac • Diretor executivo de desenvolvimento e soluções técnicas - Ney Luiz Silva • Instituto Paulo Montenegro: Diretora executiva - Ana Lúcia Lima

GIRO
Publicação trimestral corporativa do IBOPE para públicos interno e externo • supervisão e edição: comunicação institucional, Taís Bahov (MTb 53.300) • textos: Antonio Liutkevicius • edição de arte e produção gráfica: D´Lippi Design + Print • fotos: Shutterstock, Stockexpert e Paulo Pampolim • revisão: Eliete Soares • impressão: D’Lippi Print • tiragem: 10,5 mil exemplares • endereço para correspondência: Alameda Santos, 2.101 8º andar – São Paulo/SP – CEP 01419-002 – comunicacao@ibope.com. A versão eletrônica da publicação está disponível no endereço www.ibope.com. Autorizada a publicação dos dados contidos nas matérias desde que citada a fonte.