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A tecnologia e a formação da nova geração de publicitários

O grande retraimento de investimentos publicitários, nos últimos anos, resultou em um enxugamento expressivo das equipes das áreas de mídia da maior parte das agências de publicidade

Artigo de Dora Câmara, diretora comercial do IBOPE Mídia, publicado no jornal Meio & Mensagem


O grande retraimento de investimentos publicitários, nos últimos anos, resultou em um enxugamento expressivo das equipes das áreas de mídia da maior parte das agências de publicidade. A conseqüência desse movimento é uma nova geração de profissionais muito mais sobrecarregada, com menos tempo para aprender e pressionada para raciocinar mais rápido.

Em contrapartida, o mercado vem criando ferramentas cada vez mais sofisticadas para planejar e analisar informações e que, por causa do cenário acima descrito, não são exploradas em todo o seu potencial. O que se nota hoje é a subutilização da pesquisa e, em conseqüência, uma pequena gestão da informação. Essa situação é semelhante à do sujeito que compra um carro superpossante mas que só anda a 50 quilômetros por hora, sem imaginar o prazer de explorar todo o potencial do automóvel.

No passado, a tecnologia não ajudava muito. Claro que os computadores eram utilizados, mas se recorria muito à leitura de relatórios, empregava-se mais tempo na análise da informação. Hoje, basta um clicar de mouse para gerar um conjunto de dados. O problema dessa facilidade é o risco que corre o profissional de mídia de se limitar à informação imediata, sem considerar o que está por trás, que é uma montanha de informações.

O fato é que só se beneficia da pesquisa em sua totalidade quem acumula conhecimentos sobre ela, da metodologia à sua aplicação. Por exemplo, é importante saber por que a pesquisa que se faz na mídia TV é chamada de painel, por que a de rádio é um recall, por que a classificação do investimento publicitário é realizada de determinada forma. São peculiaridades de cada investigação que, uma vez assimiladas, ajudam a transformar um conjunto de dados em informações preciosas.

É essa visão global sobre o processo que torna possível criar o planejamento de mídia ideal. Se o profissional souber aproveitar cada tipo de pesquisa, ele descobrirá composições de meios cada vez mais eficientes para veicular a sua campanha.

Utilizar corretamente a pesquisa pode ser o grande diferencial para um profissional de mídia no mundo atual, que dispõe de um rico leque de formas de comunicação: cinema, internet, mídia exterior, revista, rádio e TV. Aquele que limitar sua campanha a um só meio de comunicação certamente excluirá uma parcela importante da população. Será mais bem-sucedido o mídia que combinar a força dos meios e explorar estratégias multimídia para atingir o público-alvo do anunciante.

Para isso existem as ferramentas criadas pela tecnologia, que eliminou o trabalho operacional mas não substituiu o ser humano na análise inteligente da informação. A capacidade do homem de assimilar e dominar essas ferramentas deve avançar no mesmo ritmo que a tecnologia. Transformar informação em conhecimento é uma tarefa do mercado como um todo. A informação deve ser trabalhada de forma que sustente a argumentação e abra horizontes para o cliente.

O desafio das empresas que prestam serviço a agências, anunciantes e veículos de comunicação é fazer com que a tecnologia trabalhe a favor dos profissionais e não os embote. Profissionais bem formados são essenciais para o desenvolvimento de produtos mais afinados às necessidades do mercado. São esses profissionais que vão ajudar os institutos de pesquisa a aperfeiçoar seus serviços para melhor atendê-los. E se o mercado não dispuser de gente capaz de entender e trabalhar os softwares de pesquisa, de nada adiantará dar um outro salto tecnológico.

As empresas de pesquisa devem assumir sua parcela de responsabilidade e contribuir para a formação dos profissionais de mídia. O Ibope já começou a trabalhar, colocando à disposição de seus clientes o Media Class, curso em módulos, teórico e prático, que mostra todo o processo da pesquisa e sua aplicação. O mercado entendeu a nossa proposta e aderiu imediatamente aos cursos, prova disso é que todas as turmas estão completas até o final do ano. Afinal, barrar o avanço do conhecimento não interessa ao competente mercado publicitário brasileiro.