TEXTO:
48% dos paulistanos gastam pelo menos 2 horas por dia em seus deslocamentos
22/09/2015
59% são favoráveis a construção e ampliação de ciclovias e ciclofaixas
​7% afirmam usar bicicletas todos os dias ou quase todos os dias.
Quanto tempo os paulistanos gastam por dia em média, no trânsito? Qual o nível de satisfação dos usuários do transporte público? Qual a opinião do paulistano sobre as reduções da velocidade nas vias da cidade e sobre as ciclovias e faixas de ônibus? Essas e outras questões estão na pesquisa sobre Mobilidade Urbana, do IBOPE Inteligência, que a Rede Nossa São Paulo e a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (FecomercioSP) lançaram  neste 22 de setembro, Dia Mundial Sem Carro. 

O levantamento de percepção dos moradores da capital paulista, que está em sua nona edição, ouviu 700 moradores da cidade com 16 anos ou mais, entre os dias 28 de agosto e 5 de setembro. 

A pesquisa também aborda a percepção dos paulistanos sobre os principais problemas da cidade e questões específicas sobre a poluição.

Entre as principais conclusões da pesquisa estão:

- Áreas problemáticas na cidade de São Paulo: as áreas mais citadas, nesta ordem, são saúde (55%), segurança pública (37%), educação (33%), desemprego (33%), trânsito (29%), transporte coletivo (27%), abastecimento de água (21%) e poluição (17%). Os itens trânsito e transporte coletivo vêm caindo ao longo dos anos - atualmente são, respectivamente, a quinta e a sexta preocupação dos paulistanos.

- Nível de satisfação com aspectos, áreas e serviços de locomoção: todos os itens estão com nota abaixo da média, que é 5,5. O melhor avaliado é "quantidade de faixas de pedestres", que recebe 5,3. A avaliação do transporte público é mais negativa entre os que declararam utilizar carro "todos os dias" ou "quase todos os dias" (4,1), contra 5,1 de quem "não utiliza carro". A diferença também é grande no item "tempo gasto para se deslocar" -  a nota média entre os que usam carro todos os dias ou quase é 3,3, e de 5,2 entre os que não usam.

- Poluição: 59% consideram a poluição do ar como a mais grave e 30%, a da água. No ano passado, 70% citavam a do ar como a mais grave e 18%, a da água. 

- Ainda sobre poluição, uma pergunta inédita aponta que 62% dos entrevistados (ou alguém que mora no mesmo domicílio) já tiveram problemas de saúde decorrentes da poluição em São Paulo. 

- Tempo médio de deslocamento para atividade principal fica em 1h44 - o mesmo resultado de 2014. 23% dos entrevistados levam pelo menos duas horas para ir e voltar da atividade principal e 35%, entre uma e duas horas. Entre os que utilizam carro todos os dias ou quase todos os dias, o tempo médio também fica em 1h44. E entre os que usam transporte público todos os dias ou quase todos os dias, em 1h58.

- Tempo médio para realizar todos os deslocamentos na cidade fica em 2h38 - em 2014 eram 2h46. 48% dos paulistanos gastam pelo menos 2 horas por dia em seus deslocamentos. Entre os que utilizam carro todos os dias ou quase todos os dias, o tempo médio fica em 2h48. E entre os que usam transporte público todos os dias ou quase todos os dias, em 2h56.

- Posse de carro: 60% têm e 40% não têm. A região da cidade com menos posse de carros é o Centro, com 46%. E a maior é a Oeste, com 67%.

- Utilização do carro de passeio: 32% usam todos os dias ou quase todos; 36%, de vez em quando; 25%, raramente. Entre quem possui automóvel, o uso de todos os dias ou quase diminui de 56%, em 2014, para 45%, em 2015.

- Uso diário de um ou mais meios de transporte: 28% dos entrevistados se locomovem a pé; 25%, de transporte coletivo; 18%, de carro; e 3%, de bicicleta.

- 83% dos entrevistados, entre os que utilizam automóvel todos ou quase todos os dias, deixariam de usar o carro caso houvesse uma boa alternativa de transporte. Em 2014, eram 65%. 

- Transporte público coletivo: 25% usam todos os dias; 19%, quase todos os dias; 34%, de vez em quando; 15%, raramente; e 6%, nunca. Quando questionados sobre o que os fariam usar o transporte público coletivo, 36% respondem "mais linhas de transporte público coletivo que cubram percursos que não cobrem atualmente"; 27%, "existência de mais e melhores corredores de ônibus, faixas exclusivas e linhas de metrô"; e 22%, "melhoria nas condições físicas do transporte público coletivo/ mais conforto". 

- Avaliação do serviço de ÔNIBUS em São Paulo: as notas continuam abaixo da média, mas houve significativa melhora no percentual de notas 9 e 10 nos itens como "limpeza, conservação e manutenção dos terminais" (passa de 5% para 13%), "cordialidade e respeito por parte de motoristas e cobradores" (de 5% para 10%), "limpeza, conservação e manutenção dos ônibus" (de 4% para 10%), "tempo de duração da viagem" (de 2% para 8%), "pontualidade" (de 2% para 7%), "Tempo de espera nos pontos de ônibus ou terminais" (2% para 5%), "lotação dos ônibus" (1% para 4%).

- Por outro lado, 59% dizem que a lotação dos ônibus aumenta no último ano, 30% afirmam que está igual e, 8%, que diminuiu.  O tempo de duração da viagem está igual para 34%, aumentou para 32% e diminuiu para 31%. O tempo de espera pelos ônibus está igual para 43%, aumentou para 30% e diminuiu para 23%. 

- 90% dos entrevistados são a favor de construção de faixas e corredores de ônibus. 

- BICICLETAS: 7% afirmam usar bicicletas todos os dias ou quase todos os dias. Entre os que não usam, 44% afirmam que usariam caso houvesse mais segurança; 18%, se tivesse mais sinalização nas ruas; 13%, mais ciclovias (em 2014, esse número era 26%). Outro dado relevante: em 2007, 34% afirmam que não usariam bicicleta em São Paulo "de jeito nenhum"; em 2014, eram 24% e, em 2015, são 13%.

- Sobre construção e ampliação de ciclovias e ciclofaixas, 59% afirmam ser favoráveis e 38%, contrários. 

- PEDESTRES: 40% afirmam que as faixas de pedestres estão sendo "mais respeitadas"; 48%, que estão "menos respeitadas"; e 9% não percebem mudanças. Em 2014, 33% disseram que as faixas eram "mais respeitadas" e 52%, "menos respeitadas". 

- ABERTURA DE RUAS PARA PEDESTRES E CICLISTAS: 64% declaram ser a favor de "aos domingos, utilização exclusiva de ruas e avenidas, como a Avenida Paulista, para lazer e circulação de pedestres e ciclistas ".  33% são contrários à medida. 

- Propensão a sofrer acidentes: 46% afirmam que os motociclistas estão mais sujeitos a acidentes; 33%, que são os pedestres; 18%, os ciclistas; e 3%, os motoristas.

- REDUÇÃO DA VELOCIDADE: 53% afirmam ser contra as medidas de redução da velocidade nas vias da cidade e 43% são a favor. Entre quem utiliza carro todos ou quase todos os dias, 66% declaram se contra e entre quem ganha mais de cinco salários mínimos, 64%. 

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