TEXTO:
Surpresas serão inevitáveis
07/10/2012
Márcia Cavallari, CEO do IBOPE Inteligência, fala sobre os resultados das eleições brasileiras
​Márcia Cavallari é CEO do IBOPE Inteligência.

​Ao analisar os números das últimas pesquisas eleitorais nas capitais brasileiras, percebe-se claramente que está ocorrendo uma mudança no comportamento do eleitorado. A tendência natural é que, quanto mais perto da eleição, os resultados da pergunta espontânea se aproximem dos da pergunta estimulada (onde se apresenta o disco com os nomes dos candidatos). Mas isto não está acontecendo atualmente.

Neste ano, em metade das capitais, a quantidade de eleitores que não citam candidatos na pergunta espontânea (se declaram indecisos ou que votarão em branco ou nulo) é 34% maior do que nas eleições de 2008. Isto sinaliza que o voto de grande parte dos brasileiros ainda não está consolidado e pode mudar até a hora em que ele entrar na cabine de votação e apertar a tecla “confirma”.

Assim, é de se imaginar que poderemos ter surpresas em algumas cidades. As 13 capitais que se encontram nesta situação podem ser classificadas em três grupos: aquelas com disputas acirradas; aquelas que estão em processo de virada; e aquelas que têm um líder isolado, mas não há paixão eleitoral. Em São Paulo, por exemplo, é impossível afirmar quem irá para o segundo turno.

Até uma semana atrás, qualquer um apostaria que Celso Russomanno (PRB) seria um dos concorrentes no segundo turno, mas a última pesquisa do Ibope Inteligência mostra uma queda de 7 pontos percentuais em seus votos. Agora, Russomanno, José Serra (PSDB), Fernando Haddad (PT) e Gabriel Chalita (PMDB) estão em movimento, e não dá para identificar os candidatos que disputarão o segundo turno. Os que não citam nenhum candidato de forma espontânea ainda representam 30% do eleitorado paulistano, de acordo com a última rodada de pesquisa. Para onde irão esses votos? E qual a velocidade destas movimentações? Não é possível dizer!

No segundo grupo de capitais, as últimas pesquisas registram viradas recentes e, até domingo, estas movimentações estarão em processo de consolidação. Um exemplo é Salvador, onde ACM Neto (DEM) liderava no início da campanha, e Pelegrino (PT) ficou numericamente à frente na última pesquisa. Agora, ambos estão tecnicamente empatados. Os sem candidatos (34%), novamente, serão cruciais para o resultado do primeiro turno. Na mesma situação estão Campo Grande, Palmas e Cuiabá.

Indecisos em alta onde há líder isolado
Estranhamente, até mesmo em algumas capitais onde há um líder isolado nas pesquisas, o número dos que não mencionam um candidato é alto. É o caso de Goiânia, onde Paulo Garcia (PT) lidera com 42% das intenções de voto. Aqueles que ainda não escolheram seu candidato na pergunta espontânea totalizam 38%.

A outra metade das capitais também está dividida entre estes 3 grupos, mas o número dos eleitores que ainda não citam candidatos na pergunta espontânea é igual ou inferior ao observado nas eleições anteriores.

Um exemplo é o Rio de Janeiro, onde Eduardo Paes pode ser reeleito com a maior proporção de votos válidos entre as capitais. Entretanto, nota-se a ausência do envolvimento apaixonado neste processo eleitoral. Há, sim, o reconhecimento pelo que Paes está realizando na cidade.

É fato que as eleições municipais são mais voláteis, dinâmicas e que as viradas acontecem com maior frequência do que na escolha de governadores ou presidentes. Neste contexto de indefinição, qualquer dia ou fato novo da campanha faz diferença. De qualquer forma, com tantos eleitores sem voto consolidado a dois dias das eleições, as surpresas serão inevitáveis.

Artigo publicado no jornal O Globo em 06/10/2012.

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Política e eleições; Prefeituras
 

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